segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Perdi você.

Tinha o pavio mais curto. Em compensação, coração, tinha o maior do mundo. Usou-o tanto para amar que ele se cansou cedo demais.
Dos que nos procuram, todos dizem o quanto foram ajudados por você, o quão boa você era.
Pessoas mencionam que você tem estado diferente, mais doce, tem tido mais fé. Que tem reconhecido erros antigos em longos telefonemas, agradecido ajudas e se feito mais presente.
Não creio em coincidências, mas creio na soberania daquEle que sabe o último capítulo dessa novela. E Ele vem preparando sua partida. Há meses você vem se despedindo.
Doce! Você, nossa leoa, doce?
Sim, mãe, a vida te fez dura. Há tempos na vida que só com uma grossa casca se pode aguentar a pancada e às vezes, perdemos a doçura, a ingenuidade por causa desse mundo tantas vezes vil. Aconteceu comigo também. E vivemos tanto tempo, casca contra casca!
Mas, nos últimos tempos, nos deixamos, vagarinho, entrar na casca uma da outra.
Não ficamos nos devendo nada. Não ficou nenhuma dívida de amor entre nós.
Quanto medo tive desse momento, quando você nos deixaria. E muito embora a dor seja lancinante, muito embora olhar seus objetos e sentir o cheiro que restou de você naquela casinha desperte certa vontade de gritar “volta, por favor, volta!” que paz tenho por termos finalmente tido coragem para abrir as nossas cascas!
Que dor te ver miudinha hoje, mesmo sendo bom viver os últimos momentos com você. Quis eu te por no colo dessa vez e cantar “Pequenina do meu amor/Vem correndo pros meus braços/Eu guardo pra você/Os mais caros lindos sonhos...”.
Hoje nós fomos quem cuidamos de você, mãe.
Você partiu como sempre quis, foi tudo rápido, definitivo, sem te causar o transtorno de depender de ninguém por tempo longo ou curto.
O mais lindo é saber que, com você, essa história de completar a missão não foi clichê.
Você combateu o bom combate, acabou a carreira e guardou a fé.*
Obrigada por me ensinar com seus erros, com acertos e, principalmente, com esse coração que foi falhar logo agora. Sapeca ele, que nem você, dona Gogô.
Perfeitas não fomos, não somos, nunca seremos.
Nós somos é metade, metadinha da outra, eu e você, nos amando reciprocamente... para sempre.




*"Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé.
Agora me está reservada a coroa da justiça, que o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amam a sua vinda."

2 Timóteo 4:7,8

domingo, 29 de março de 2015

O porquê do Grão de Trigo

Então, estou de volta. Fiquei muito tempo em silêncio, como quem convalesce. Minha alma estava convalescendo e, como quem acorda um dia, livre do mal que o acompanhou por muito tempo e se vê curado, acordei e me notei; vi que a alma não doía mais. Acordei e me vi plena, suprida, fulfilled.


Há alguns dias, eu ouvi alguém dizer que se você está infeliz hoje é porque você não percebe que você está vivendo o sonho que você teve lá atrás. E hoje eu estou vivendo o sonho de vida e família que eu sempre acalentei. Tive meus sonhos cumpridos, minha vida restituída e minha alma restaurada.
Poderia contar tantas histórias de como cheguei até aqui, mas o importante é que eu já estou aqui. Eu já cheguei!
Eu sou o grão de trigo que morreu* e que por isso renasceu melhor, mais forte, cheio de vida!

Sou infinitamente grata a Deus por tudo que aprendi e toda força que Ele me deu através das provas que Ele mesmo me permitiu passar. Deixei de ser ferida e me tornei flor. Deixei a amargura da mágoa para abraçar a doçura que sempre fez parte de mim. Deixei de ser um produto do que a vida fez comigo.
Nada como ficar desiludido!
Mas alguém aí pode me dizer "Nossa, Nina, que horror, desilusão não é uma coisa boa!", mas eu digo que ruim mesmo é a ilusão. Estar 'des-iludido', significa que a ilusão caiu e podemos ver a vida como ela se apresenta, os problemas como eles são e a partir daí buscar soluções.
Desilusão!A dor segundo Deus** que traz consigo o remédio.
Que alívio! Puxa, que refrigério! A vida que nunca tive, a saudade do que não vivi, as canções melancólicas que falam de histórias de amor idealizadas, impossíveis...
Ufa! Eu sou livre! Eu c-r-e-s-c-i***. Acabou o silêncio, a poesia dolente, aquele ensimesmamento!


Hoje, se fico em silêncio é apenas para contemplar o que Ele fez na minha vida e aprender um bocadinho mais sobre Sua graça e amor.
E aqui, nesse blog, vou tentar compartilhar um pouco dessa água viva e da sabedoria que, eu sei, vem do alto e, quem sabe, ser o grão que morreu e que deu muitos frutos!


*Digo-lhes verdadeiramente que, se o grão de trigo não cair na terra e não morrer, continuará ele só. Mas se morrer, dará muito fruto. João 12:24

**A tristeza segundo Deus produz um arrependimento que leva à salvação e não remorso, mas a tristeza segundo o mundo produz morte. 2 Coríntios 7:9

***Quando eu era menino, falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino. Quando me tornei homem, deixei para trás as coisas de menino. 1 Coríntios 13:11